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Ident (1989)

Diretor: Richard Goleszowski

Uma animação extra, que na verdade não foi analisada pelo curso do Anima Mundi que comentei. Mas acho que vale a pena pra mostrar como animações tem um poder infinito, e podem falar sobre qualquer coisa.

Esse poder vêm, principalmente das diferentes técnicas, ou seja, do material que você usa pra fazer a animação, que vai desde lápis e papel até bonecos de látex que custam 12 mil dólares (Noiva Cadáver do Tim Burton, por exemplo).

É como ter um quadro e poder pintá-lo com tintas, mas também com massa de modelar, algodão, plástico, vidro, areia, sombras… o que sua mente insana pensar. E ainda por isso em movimento e com som, seja pra organizar uma história ou para fazer uma coisa mais abstrata. Enfim, na animação as possibilidades são praticamente infinitas.

Dentre as técnicas possíveis, uma com potencial abstrato forte é a de stop motion. A animação 3D de hoje, vide Pixar e DreamWorks, consegue simular texturas e formas reais com prefeição. Mas ainda há algo de mágico em ver uma bolota de algodão criar personalidade, ou um punhado de massa de modelar se rearranjar “sozinha” em diferentes expressões faciais. Se existe uma produtora capaz de explorar essa técnica com maestria é a Aardman.

Pra quem não conhece… óbvio que conhece. Não o nome, mas os filmes: Wallace & Grommit e Fuga das Galinhas são filmes da Aardman, feitos com bonecos reais, e sucessos instantâneos. Mas a Aardman também produz curtas, muitas vezes ousados, como Ident.

Ident tem um personagem enigmático, num cenário estranho e surreal, que se assemelha a um labirinto. A medida que se depara com surpresas no percurso dos caminhos, sua face vai se reconstruindo, e suas atitudes vão mudando de acordo com a situação. Até pelo próprio nome, é fácil perceber uma poderosa metáfora da identidade e como ela é fragmentada.

O legal é que a história é abstrata, mas não deixa de ser clara. Não é uma masturbação intelectual de um autor prepotente, aqueles filmes que quase fazem força pra você não entender. ele não tenta te esconder nada: ele te joga uma história sobre identidade, cheia de referências que vão significar pra mim uma coisa, e pra você, outra.

E pensar que isso veio de uma animação, hein? Aquele negócio que todos achavam que era pra criança…

O negócio é que animação não é pra criança. As crianças são mais atingidas porque os adultos fecham suas imaginações a medida que crescem. E animação é pura imaginação. Vamos ao curta!

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