You are currently browsing the tag archive for the ‘irmãos coen’ tag.

Hoje queria fazer um relato da minha experiência de ontem (ainda bem que não é o contrário), quando fui ao Cinema. Estava há um bom tempo sem ir, já que estava passando as férias com meus pais, na cidade onde nasci, onde há apenas uma sala de Cinema. Portanto, pouquíssimas opções de filmes.

Os últimos que tinha assistido foram Toy Story 1 e 2 em 3D. Os filmes são espetaculares, e me diverti como nunca assistindo. Mas minha experiência com a imagem 3D e os óculos foi… conturbada.

Mas enfim, fui ontem, sozinho como de costume, assistir Um Homem Sério. Pra começar, esse filme é dirigido pelos Irmãos Coen. Qualquer colega meu do curso de Cinema sabe pela minha fanboyzisse extrema quanto a esses caras. São os cineastas com os quais mais me identifico, e provavelmente os que melhor escrevem roteiros nessa geração do Cinema.

Ir ao cinema pra ver um filme que você sabe que é bom é a melhor coisa possível. Você chega meia hora antes, compra o ingresso, come alguma coisa, gasta algum dinheiro com bobagens coisas úteis no shopping, chega na sala faltando alguns minutos para o início da sessão, e relaxa esperando começar o filme. Ah, e torce para não surgir algum babaca, porque cinema é um lugar onde os babacas se aglomeram, infelizmente.

Dessa vez, nenhum apareceu. O filme começou, e logo na introdução percebi que os Coen novamente não me decepcionariam.

O personagem principal do filme é umprofessor de física judeu que segue as tradições de sua cultura e tenta passá-las para a família. Um dia, toda a base que construiu para que isso acontecesse começa a ruir. Isso se inicia quando sua mulher pede divórcio, o que é apenas o aperto do gatilho que possibilita a Larry perceber que tudo a sua volta é uma mentira. Seus filhos parecem estranhos, seu irmão que sobrevive a suas custas, o emprego, a vizinhança. Tudo começa a lhe trazer problemas. Larry decide, então, procurar 3 rabinos para ajudá-lo a entender por que Deus está fazendo aquilo com ele.

Assistir esse filme, assim como muitos outros dos Coen, é entender o que realmente é humor negro. Não, humor negro não é fazer piadas sobre crianças com câncer. É até engraçado ver gente se achando badass porque ri de coisas assim. Isso é pura grosseria e apelação.

(pausa para falar com os discordantes)

Se você acha que estou sendo uma menininha politicamente correta, aqui vai um recado: o verdadeiro humor negro é qualquer coisa que coloque em cheque as “regras” e tabus da sociedade, mas tentando fazer rir para nos fazer repensar esses tabus e regras. E outra coisa, não importa o quanto você tente, ridicularizar as crenças de milhares de anos de formação cultural da sociedade ocidental sempre será muito mais revolucionário e ousado do que rir das crianças subnutridas. Fica a dica.

(voltando)

Cara do discordante quando terminou de ler as palavras em negrito.

É um filme que fala basicamente de incertezas e de um homem que não sabe como lidar com elas. Muitas vezes deslocamos nossas incertezas para outros lugares, seja trabalho, consumismo, religião, ou raiva contra a religião. Mas no fundo, elas continuam a existir. Tenho a cara de pau de dizer que é um filme agnóstico. Não se resume a isso, lógico. Nem mesmo é sua principal característica, mas está lá de alguma maneira: Sempre a incerteza reinará, e você tem que lidar com ela. Pelo menos é o que o filme me passou, e isso é diferente pra cada um.

Fiquem ligados nos próximos posts! Não sou um host de programa de fofoca, mas estou falando isso porque planejo fazer uma série de reviews sobre diretores fodas da nova geração, falando de filmes, estilo, etc. Serão posts bem grandes, então ou serão muito bons ou muito chatos. Os Irmãos Coen certamente estarão entre eles.

Que venha o futuro!