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Ident (1989)

Diretor: Richard Goleszowski

Uma animação extra, que na verdade não foi analisada pelo curso do Anima Mundi que comentei. Mas acho que vale a pena pra mostrar como animações tem um poder infinito, e podem falar sobre qualquer coisa.

Esse poder vêm, principalmente das diferentes técnicas, ou seja, do material que você usa pra fazer a animação, que vai desde lápis e papel até bonecos de látex que custam 12 mil dólares (Noiva Cadáver do Tim Burton, por exemplo).

É como ter um quadro e poder pintá-lo com tintas, mas também com massa de modelar, algodão, plástico, vidro, areia, sombras… o que sua mente insana pensar. E ainda por isso em movimento e com som, seja pra organizar uma história ou para fazer uma coisa mais abstrata. Enfim, na animação as possibilidades são praticamente infinitas.

Dentre as técnicas possíveis, uma com potencial abstrato forte é a de stop motion. A animação 3D de hoje, vide Pixar e DreamWorks, consegue simular texturas e formas reais com prefeição. Mas ainda há algo de mágico em ver uma bolota de algodão criar personalidade, ou um punhado de massa de modelar se rearranjar “sozinha” em diferentes expressões faciais. Se existe uma produtora capaz de explorar essa técnica com maestria é a Aardman.

Pra quem não conhece… óbvio que conhece. Não o nome, mas os filmes: Wallace & Grommit e Fuga das Galinhas são filmes da Aardman, feitos com bonecos reais, e sucessos instantâneos. Mas a Aardman também produz curtas, muitas vezes ousados, como Ident.

Ident tem um personagem enigmático, num cenário estranho e surreal, que se assemelha a um labirinto. A medida que se depara com surpresas no percurso dos caminhos, sua face vai se reconstruindo, e suas atitudes vão mudando de acordo com a situação. Até pelo próprio nome, é fácil perceber uma poderosa metáfora da identidade e como ela é fragmentada.

O legal é que a história é abstrata, mas não deixa de ser clara. Não é uma masturbação intelectual de um autor prepotente, aqueles filmes que quase fazem força pra você não entender. ele não tenta te esconder nada: ele te joga uma história sobre identidade, cheia de referências que vão significar pra mim uma coisa, e pra você, outra.

E pensar que isso veio de uma animação, hein? Aquele negócio que todos achavam que era pra criança…

O negócio é que animação não é pra criança. As crianças são mais atingidas porque os adultos fecham suas imaginações a medida que crescem. E animação é pura imaginação. Vamos ao curta!

http://zombietalk.podomatic.com/swf/joeplayer_v16.swf

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Saudades de “revisar” um jogo, e como essa é sempre uma tarefa difícil, resolvi recolocar o blog na ativa com um dos adventures de PC mais divertidos e venerados pelos fãs.

Secret of Monkey Island é a primeira aventura de Guybrush Threepwood, o pirata mais comédia da história da ficção. Jogar esse jogo foi resgatar minha infância, pois joguei muito o Curse of Monkey Island, que é o terceiro da série (não sou tão véio assim). A special edition foi lançada em 2009, 19 anos depois da original, com a arte refeita e acrescentando dublagem (as mesmas do Monkey Island 3, o primeiro a usar vozes).

Para quem, como eu, é fã ensandecido de adventures, deve saber que a Lucas Arts, por volta de 90, fez história com vários títulos sensacionais como Full Throttle, Grim fandango, etc. Tomara que todos esses ganhem remakes e o gênero Adventure ganhe nova força! Vamos à parte em que eu finjo que minhas notas importam alguma coisa:

História e Gameplay:

Bom, podemos começar definindo um gênero. O gênero de gameplay, sabemos que é point & click, daqueles que você aponta para bo obvjeto que quer pegar, escolhe as falas com o mouse e clica para andar. Mas isso abre espaço para qualquer tipo de narrativa, seja terror ou conto de fadas.

Esquecendo o gameplay, Monkey Island é uma história de comédia nonsense, das mais engraçadas. Guybrush Threepwood é o nosso protagonista, que chega numa ilha com o desejo de se tornar um pirata. Ele até consegue completar as tarefas necessárias para conseguir seu objetivo, mas quando a jovem governadora da ilha, Elaine, é raptada, ele é o único disposto a se encaminhar para a perigosa Monkey Island e resgatar sua amada (que ele só encontrou uma vez, diga-se de passagem).

Mas não dá pra esquecer o gameplay num jogo de videogame! Sendo um jogo point & click, a história é inseparável da jogabilidade. Por quê? As tarefas que o personagem (que também é o jogador) precisa realizar serão geralmente puzzles que, quando solucionados, levam a um próximo evento da história. Isso é uma ótima forma de integrar história e jogos de videogame (não à toa os adventures costumam ter histórias ótimas). Mas, na minha opinião, acaba ficando um pouco mecânico. Você sabe que o jogo só anda se você resolve certo quebra-cabeça. Aí você fica naquela angústia da resolução de um puzzle difícil. Aí resolve, vem um pedaço de história e já aparece mais um puzzle. Sou só eu que acho isso meio repetitivo e que podia ser mais fluido?

Independente disso, o jogo consegue te entreter do início ao fim e por mais que essa mecânica seja visível, ela não cansa. Fora que pra ultrapassar esse esquema de puzzle->resolução de puzzle->pedaço de história->próximo puzzle não é algo simples e exige novas formas de interação na narrativa. E Monkey Island é um jogo de 1990, quando as ficções interativas estavam apenas surgindo nos videogames. Olhando por esse lado, dá não só pra perdoar Monkey Island como também se impressionar com o fato de um jogo tão ousado na sua proposta consegue narrar tão bem e ser atual até hoje. Nota: 9,0

Arte:

Secret of Monkey Island é um jogo bonito até mesmo na sua versão antiga. A reformulação conseguiu deixar tudo melhor, principalmente os cenários. Os personagens foram recaracterizados, o que ajudou muito na parte cômica (a cara do guybrush é impagável), mas achei que dava pra melhorar um pouquinho mais. E o mais legal: você pode paertar um botão do teclado e trocar as versões do jogo rapidamente, pra ver como era a cena na versão antiga.

O único problema que esperava que fosse resolvido no remake e não foi eram as animações. A movimentação dos personagens ainda é dura como na versão antiga. Mas antes havia falta de possibilidades, que hoje são muito maiores. A prova cabal de que isso era possível de ser feito é que o Monkey island 2 já está sendo feito, e no site da Lucas Arts aparecem algumas animações, que estão muito mais fluidas e bonitas que as do 1º. A caracterização dos personagens também parece estar mais bem feita. Tudo isso ajuda na parte cômica e na beleza do jogo. Nota: 8,5

Conjunto: (ou “Outros fatores aleatórios que eu julgo serem importantes num jogo foda”):

Eu não sei se foi a diferença de idade entre o meu eu que jogou Monkey Island 3 e o que jogou esse remake, mas esse me pareceu bem mais curto. Isso não é necessariamente um defeito,  já que a história se fecha e cada segundo do jogo é muito legal. Mas não espere um adventure ultra-desafiador e profundo. Os puzzles são difíceis algumas vezes, mas se você estiver acostumado com o gênero, vai ser bem tranqüilo.

Quando comprei o jogo no steam (logo quando lançou) eu nem sabia que teria as vozes, achei que seriam refeitos apenas os cenários e os personagens. Quando percebi que seria tudo falado praticamente pulei de alegria, porque melhora muitíssimo a experiência, principalmente porque é um jogo basicamente feito de diálogos.

Enfim, quando se analisa o jogo por inteiro, ele perde muitos defeitos, porque o que fica é a impressão de uma história muitíssimo bem contada, que te faz rir a cada fala e com personagens absurdos de tão criativos. Nota: 9,5

The Secret of Monkey Island

Desenvolvedora/Produtora: Lucas Arts (a versão original foi feita quando a empresa se chamava Lucasfilm Games)

Designers: Ron Gilbert, Tim Schafer e Dave Grossman

História/Gameplay: 9,0; Arte: 8,5; Conjunto: 9,5

Nota Final: 9,0

Quem é fã de adventures, gosta de puzzles, diálogos insanos, piratas ou todas as anteriores, tem que jogar esse jogo agora! Não vejo a hora de chegar o segundo!

E lembrem-se: Nunca comprem um jogo de computador por mais de 20 dólares.

Hoje queria fazer um relato da minha experiência de ontem (ainda bem que não é o contrário), quando fui ao Cinema. Estava há um bom tempo sem ir, já que estava passando as férias com meus pais, na cidade onde nasci, onde há apenas uma sala de Cinema. Portanto, pouquíssimas opções de filmes.

Os últimos que tinha assistido foram Toy Story 1 e 2 em 3D. Os filmes são espetaculares, e me diverti como nunca assistindo. Mas minha experiência com a imagem 3D e os óculos foi… conturbada.

Mas enfim, fui ontem, sozinho como de costume, assistir Um Homem Sério. Pra começar, esse filme é dirigido pelos Irmãos Coen. Qualquer colega meu do curso de Cinema sabe pela minha fanboyzisse extrema quanto a esses caras. São os cineastas com os quais mais me identifico, e provavelmente os que melhor escrevem roteiros nessa geração do Cinema.

Ir ao cinema pra ver um filme que você sabe que é bom é a melhor coisa possível. Você chega meia hora antes, compra o ingresso, come alguma coisa, gasta algum dinheiro com bobagens coisas úteis no shopping, chega na sala faltando alguns minutos para o início da sessão, e relaxa esperando começar o filme. Ah, e torce para não surgir algum babaca, porque cinema é um lugar onde os babacas se aglomeram, infelizmente.

Dessa vez, nenhum apareceu. O filme começou, e logo na introdução percebi que os Coen novamente não me decepcionariam.

O personagem principal do filme é umprofessor de física judeu que segue as tradições de sua cultura e tenta passá-las para a família. Um dia, toda a base que construiu para que isso acontecesse começa a ruir. Isso se inicia quando sua mulher pede divórcio, o que é apenas o aperto do gatilho que possibilita a Larry perceber que tudo a sua volta é uma mentira. Seus filhos parecem estranhos, seu irmão que sobrevive a suas custas, o emprego, a vizinhança. Tudo começa a lhe trazer problemas. Larry decide, então, procurar 3 rabinos para ajudá-lo a entender por que Deus está fazendo aquilo com ele.

Assistir esse filme, assim como muitos outros dos Coen, é entender o que realmente é humor negro. Não, humor negro não é fazer piadas sobre crianças com câncer. É até engraçado ver gente se achando badass porque ri de coisas assim. Isso é pura grosseria e apelação.

(pausa para falar com os discordantes)

Se você acha que estou sendo uma menininha politicamente correta, aqui vai um recado: o verdadeiro humor negro é qualquer coisa que coloque em cheque as “regras” e tabus da sociedade, mas tentando fazer rir para nos fazer repensar esses tabus e regras. E outra coisa, não importa o quanto você tente, ridicularizar as crenças de milhares de anos de formação cultural da sociedade ocidental sempre será muito mais revolucionário e ousado do que rir das crianças subnutridas. Fica a dica.

(voltando)

Cara do discordante quando terminou de ler as palavras em negrito.

É um filme que fala basicamente de incertezas e de um homem que não sabe como lidar com elas. Muitas vezes deslocamos nossas incertezas para outros lugares, seja trabalho, consumismo, religião, ou raiva contra a religião. Mas no fundo, elas continuam a existir. Tenho a cara de pau de dizer que é um filme agnóstico. Não se resume a isso, lógico. Nem mesmo é sua principal característica, mas está lá de alguma maneira: Sempre a incerteza reinará, e você tem que lidar com ela. Pelo menos é o que o filme me passou, e isso é diferente pra cada um.

Fiquem ligados nos próximos posts! Não sou um host de programa de fofoca, mas estou falando isso porque planejo fazer uma série de reviews sobre diretores fodas da nova geração, falando de filmes, estilo, etc. Serão posts bem grandes, então ou serão muito bons ou muito chatos. Os Irmãos Coen certamente estarão entre eles.

Que venha o futuro!

O Arroz Nunca Acaba (2005)
Diretor:
Marão

Uma animação brasileira, pra não me chamarem de anti-pátria!

O Arroz Nunca Acaba é uma animação pra lá de estranha. Mas é isso que faz dela um ótimo curta! Conta a história da luta de (aparentemente) um grão de arroz contra uma batata. Os dois lutam sem motivo explicito, e quando o arroz sofre um golpe quase fatal, encontra forças para se revigorar!

Como se a história não fosse aleatória o bastante, o filme ainda é propositalmente inacabado. Sim, inacabado. Em alguns momentos o personagem está colorido e artefinalizado, mas o cenário some. Ou em outros momentos há cenário, mas os personagens não estão coloridos. Em algumas partes as animações estão meio travadas, como se faltassem alguns desenhos. Em outras o diretor filmou apenas o storyboard.

É difícil entender a intenção por trás dessa história maluca, a não ser a vontade de representar uma luta tão improvável (aliás, muito legal). Em animação, o limite é a imaginação do autor. Ou seja, sem problemas se a batata amassar o bastão de luta do arroz com um golpe de maça. Afinal, a parte amassada pode virar uma corrente e o bastão vira um nunchaku!

O mais legal, no entanto, foi deixar as partes não finalizadas. Dá até pra imaginar cada cena inacabada se tivesse sido completa. Também ajuda o público leigo a entender as etapas da animação. E os animadores quando vêem, com certeza pensam o que eu pensei: “Dá vontade de largar todos os trabalhos desse jeito! Tem tanto filme finalizado por aí muito pior que esse!”.

Enfim, é um curta divertidíssimo. Além de tudo tem diálogos nonsensemente engraçados. Além da dublagem do próprio diretor e do digníssimo Guilherme Briggs. Assistam e confiram o trabalho de um dos melhores animadores brasileiros da nova geração!

PS: Não me perguntem porque o arroz é azul. Perguntem ao Marão.

E Up para os caras da Pixar e principalmente o Mestre John Lasseter!

Desde que Disney, nos primórdios de Hollywood na decada de 30, transformou a Animação numa arte complexa e evoluída, um filme não alcançava algo tão significativo no âmbito do Cinema Ocidental. E que algo é esse? Up, última pérola da Pixar,  foi indicado a 5 Oscars, em categorias importantes.

A proposta é revirar o filme com base nessas 5 indicações, pra mostra como essa é uma das animações mais bem feitas da história Hollywoodiana, e a prova que a Pixar é referência não só para todo e qualquer animador do mundo (seja 2D, 3D,  stop motion, qualquer coisa) mas para qualquer pessoa que deseje um dia fazer bons filmes. E ninguém melhor do que eu para fazer a análise, já que 1- Vi o filme 2 vezes, 2- Não tenho nada melhor pra fazer, e 3- Se por um milagre Up ganhar as 5 categorias e for a primeira animação a ser a grande vencedora dos Oscars, quero ser o primeiro a dizer “Eu não disse?”.

Edição de Som

Uma das categorias mais renegadas do mundo do entretenimento, uma das quais as pessoas acham que existe apenas para criar suspense para posteriormente anunciar o vencedor da categoria de melhor filme. Ledo engano!

Muita gente não se dá conta de que animação, obviamente, é feita por coisas que não existem. São pixels/bonecos/desenhos a lápis que não emitem som d everdade. TUDO tem que ser reproduzido, seja em estúdio de sonoplastia ou através de bancos de som.

Por isso as maiores animações costumam ter designs de som sensacionais. E Up está sensacional nesse sentido, já que no filme você vê de tudo, desde tratores e guindastes numa obra barulhenta até mini-aviões pilotados por cachorros. É uma diversidade de sons incrível, já que é um filme com uma temática um pouco mais sóbria, mas que ao mesmo tempo tem muita ação e fantasia. E tudo está cheio de personalidade no filme.

Som é uma coisa que dá muitíssima personalidade e que pode dispertar reações quase tão poderosas (ou mais) que as imagens. Pra quem quiser provas, é só assistir esse vídeo, extraído dos extras de Wall-E, outra obra prima de design de som:

Parte 2

Trilha Sonora

Pessoas que curtem música e trilhas sonoras, apresento-lhes um dos caras mais talentosos desse ramo: Michael Giacchino.

Bom, eu sou um viciado sem remédio em trilhas. E não estou falando de musiquinhas com letrinhasd de bandinhas de rock que tocam durante o filminho. To falando de músicas instrumentais mesmo, compostas por um cara que geralmente é maestro, e que entram em momentos específicos do filme para dar certa sensação. E que, às vezes, as pessoas nem notam que estão tocando, de tão naturais que são. Meu ipod é metade trilha sonora.

Michael Giacchino já havia sido indicado ao Oscar por outro filme da Pixar, Ratatouille, que tem músicas geniais. Também é o mesmo cara que compõe as músicas de Lost, que também são muito boas.

A música de Up é criativíssima e muito bonita. Como o protagonista é um velhinho, muitas vezes a música lembra o jazz instrumental da primeira metade do século. Quase dá pra ouvir o barulho do rádio chiando no fundo da música.

No mais, ela pontua os momentos de emoção do filme, seja tristeza, felicidade ou suspense que haja na cena. Mas chama atenção pela beleza e pela originalidade. O que é ótimo, pois amúsica na animação é importantíssima. Curtam aí enquanto lêem o resto do post!

Melhor Animação

Essa é a maior barbada para Up, já que um filme com tantas indicações dificilmente iria perder numa categoria do seu gênero. A não ser no Videogame Awards, que premiou Uncharted 2 como melhor jogo e Assassins Creed II como melhor jogo de ação… mas esse post não é pra trollar o VGA, já existe um assim!

Sempre que converso com as pessoas sobre animação, demonstro um pé atrás em relação a essa categoria, desde que foi criada em 2004. Sim, ela traz respeito pra animações, mas também acaba separando dos filmes em geral. Mais ou menos como se criassem uma categoria separa para “Melhor Comédia” ou “Melhor Terror”.

Mas o importante é que se eles mantiverem o prêmio de melhor filme com 10 candidatos, talvez abra espaço para animações. Por enquanto esse prêmio até que tá sendo legal, e as indicações, pelo menos na maioria, me pareceram muito boas.


Melhor Roteiro

Roteiro significa bons personagens, as situações que eles se metem, os diálogos entre eles, a mudança (ou não) de suas personalidades durante a história, as lições que o aprendizado do protagonista tenta passar para quem está assistindo.

Nessa área – a de fabricar boas histórias – a Pixar é exemplo não só para estúdios de animação, mas para qualquer roteirista de qualquer estilo de filme. Não é à toa que 6 dos 10 filmes da Pixar receberam a indicação a melhor roteiro: Toy Story, Procurando Nemo, Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E e agora Up.

Up tem personagens únicos, todos demonstram suas motivações de uma forma muito profunda, resultando em personalidades tridimensionais (sem trocadilhos). O início do filme é profundo e cheio de detalhes, como poucas animações ousaram ser, principalmente quando a maioria das pessoas ainda acha que são para crianças. Up foge ao máximo disso, embora a partir da metade do filme ele seja sustentado principalmente pelas cenas de ação desenfreada. Mas sempre são recheadas de piadas e saídas inteligentes.

É um filme que veio pra mostrar que as animações, graças a Pixar, estão deixando de ser filmes para crianças para se tornarem filmes para qualquer um.

Melhor Filme

Aí está o prêmio inalcançável para Up, embora o simples fato de ser indicado já seja espetacular.

A concorrência é pesada, com filmes como Up in the Air, Distrito 9, Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, e o temível-e-quase-certo-vencedor Avatar. Up tem uma temática mais simples (porém não boba) e menos ousada, não foi um sucesso astronômico de bilheteria e é uma animação, ou seja, é um dos azarões.

O que se pode aproveitar dessa indicação é que é um filme consistente e que muita gente gostou e foi bem avaliado pela crítica. A Academia não costuma selecionar filmes que não tenham pelo menos essas três características. E Up realmente é um filme que cumpre o papel e vai além, graças ao roteiro criativo e a direção inconfundível da Pixar, que não deixa o filme com um buraco sequer.

http://www.imdb.com/title/tt0480025/

This is England

Diretor: Shane Meadows
Elenco: Thomas Turgoose, Stephen Graham, Jo Hartley, Andrew Shim, Vicky McClure, Joseph Gilgun
Sinopse: Um menino e sua mãe vivem numa cidade de médio porte na Inglaterra dos anos 80. O garoto é infeliz desde que o pai morreu, mas descobre a amizade em um grupo de jovens skinheads.

Queria falar de um filme não-americano, mas também não queria vir com um daqueles filmes experimentais iranianos. Então viajei, não muito longe, para a Inglaterra. Assisti esse filme no Festival do Rio de alguns anos atrás, e achei maravilhoso. Logo depois assisti ele de novo na Tv a cabo. E adorei mais ainda.

É a história do menino Shaun, que sofre de agressões na escola e que sente falta do pai que morreu. Sua mãe e ele estão tentando refazer a vida numa nova cidade, mas o garoto não consegue se acostumar ao lugar. Só encontra felicidade quando é “adotado” por um grupo de skinheads adolescentes, liderado por Woody. A partir daí, Shaun começa a fazer coisas legais, como destruir casas abandonadas e raspar a cabeça (o que deixa sua mãe horrorizada).

A situação volta se complicar quando um grupo de skinheads bem mais radical entra em cena. Seu líder é um velho amigo de Woody. Divisões acontecem no grupo, e Shaun, confuso, não entende o que está causando tudo aquilo.

A forma como o filme trata a quetão dos skinheads é extremamente original e sensível. O ponto de vista do garoto é como se fosse uma lente de aumento para que possamos ver o lado humano de adolescentes punks e também de adultos raivosos e xenofóbicos. É um retrato que estamos desacostumados a ver, mas que se pensarmos bem, encontra paralelo no Brasil, apesar de não sermos desenvolvidos como a Inglaterra. Afinal, falta de esperança e de rumo em um país rico, podem significar xenofobia, e aqui podem significar crime e drogas. Mas isso é só uma reflexão, não entendo muito disso para dizer nada.

A sensibilidade do filme é justamente fugir da denúncia. Além de denunciar a xenofobia, ele conta uma história sobre infância, inocência, amizade, amor, família, solidão… basta procurar no filme que você acha isso tudo.

Além disso, os atores são fantásticos, principalmente o menino que faz Shaun. É impossível não acreditar nesse moleque quando está em cena. Outro destaque é a trilha sonora cheia de músicas boas da década de 80 e também algumas OSTs muito bonitas.

Você tem que ver esse filme porque a ele é divertido, emocionante e faz pensar. Tem personagens tridimensionais e nem um pouco clichês. Mas o que realmente torna ele único é retratar a “juventude perdida” dos anos 80 de uma forma tão genial. Assistam já!

Uma das músicas do filme:

Elenco:

Agora vamos às notas, mais um momento para eu me sentir um reviwer importante.

História:

A história é provavelmente a melhor coisa de Uncharted 2. Não dá pra dizer que é com certeza, por que se tem uma coisa que esse jogo faz melhor que qualquer um dessa geração, é integrar os acontecimentos, diálogos e personagens com o gameplay.

Pra quem não faz idéia de do que se trata essa série, é um Indiana Jones contemporâneo. O legal do protagonista, Nathan Drake, é que, apesar de conseguir escalar praticamente qualquer coisa e ler latim arcaico, ele consegue causar a impressão de que qualquer um de nós poderíamos viver as aventuras que ele vive. Não porque eu ou você vamos sair por aí em busca de artefatos mágicos, mas porque as reações e ações dele não são exageradas. Ele se machuca, reclama, xinga e faz piadas, como qualquer pessoa. Explicado porque é um dos personagens mais carismáticos dos games.

O primeiro Uncharted era curto e contava apenas a história de Drake em busca do “El Dorado”. Mas Uncharted 2 é bem mais complexo nesse sentido. No primeiro, Nathan descobre o que está procurando logo na primeira cutscene, e já se sabe quem são seus companheiros (Sully e Elena) desde o início também.

Uncharted 2 vai acrescentando os elementos da trama principal (o que Nathan está procurando?), os personagens (quem vai ajudar Nathan a chegar onde quer?), o vilão e suas verdadeiras intenções… tudo isso que no 1º era dado de cara, no 2º chega de acordo com o andamento da história. Isso faz com que cada cutscene seja preciosa e prenda a atenção de queme stá jogando. Me lembro de várias vezes largar o controle e assistir como se fosse um filme. Realmente ela te envolve, tanto quanto envolveram tantos filmes clássicos.

O Roteiro de Uncharted 2 é um dos mais polidos (se não o mais) que já vi em jogos de ação, que tendem a chutar essa parte para escanteio. E é uma das histórias mais legais que já joguei/assisti. Nota: 10


A batida do ônibus acontece em tempo real.

Gameplay:

E aqui está a razão porque acho que Uncharted 2 conseguiu revolucionar, mesmo tendo uma abordagem comercial. O jogo assume uma proposta linear desde o início. Ao contrário de jogos como Heavy Rain, Mass Effect e Fallout 3, ele não sugere aproveitar a possibilidade aberta pelos games de atribuir novos elementos às narrativas como decisões de dilemas morais e múltiplos caminhos para a história.

Algumas pessoas citam isso como desvantagem, pois o jogo não estaria inovando e também não aproveitaria a característica interativa dos videogames. É aí que entra minha discordância!

Em Uncharted 2, por mais que você não possa alterar a história, você está quase 100% do tempo no controle da ação. Pode parecer óbvio, afinal é um jogo. Mas pense consigo mesmo quantos jogos precisam tirar o jogador do controle para que a o jogo caminhe. Em quantos jogos você já presenciou quedas de prédios? Muitos. Mas em quantos deles você estava com seu personagem dentro do prédio em quanto ele caía, controlando-o no meio de um tiroteio?

A Naughty Dog não usou cutscenes para fazer com que esses momentos de ação ocorressem. As cutscenes, na verdade, quase não possuem ação, são mesmo carregadas de diálogos, sempre sensacionais. E se possuem, logo entregam ela de mão beijada pra você, que se virá em situações como pontes quebrando e um trem (Ah, o trem!) viajando na selva tibetana. Por isso é tão difícil dissociar a história do gameplay nesse  jogo. Eles andam juntos, complementando um ao outro.

O gameplay também é possui outros elementos: os tiroteios no sistema de cover (como em Gears of War), a possibilidade de matar inimigos sem ser percebido (stealth), escalar prédios (como em Assassin’s Creed, Prince of Persia… etc), alguns puzzles e a caça de tesouros. A diferença aqui, é que eles se misturam muito bem. Você vai se encontrar constantemente escalando uma parede enquanto precisa mirar para atirar em alguém, por exemplo. Fora as partes que mal podem ser definidas, como em uma determinada hora que você tem a chance de andar em uma cidade, sem tiroteios ou inimigos, somente olhando para ela. E, acredite, só olhar é o bastante, porque é um ambiente perfeitamente vivo. Poucas vezes fiquei tão embasbacado olhando para a TV.

A desvantagem aqui fica em algumas poucas partes onde os tiros são repetitivos demais. E também nos puzzles, que na maioria são simples demais (embora não tanto quanto no primeiro jogo), com exceção de dois deles. Aliás, o puzzle na caverna de gelo é um dos milhões de pontos altos do jogo. Há também a caça aos 100 tesouros escondidos pelos capítulos. Aliás, bem melhor escondidos que no primeiro. É mais divertido procurá-los (mas só com muita paciência para achar todos.

Poderia escrever 10 posts sobre o gameplay de Uncharted 2. Mas o fato é que mesmo depois de pensar muito e achar o pequeno excesso de tiros e os puzzles como os únicos defeitos do gameplay, ainda acho uma da smelhores experiências que tive como jogador. Nota: 9,5

Arte:

Não há muito o que falar aqui. Eu teria que ter um olho de Da Vinci para enxergar algum defeito na arte desse jogo. Não é novidade, por exemplo, a voiceactting perfeita, capturada junto com os movimentos dos atores. Mas o verdadeiro espetáculo é a ambientação: É de longe o mais bonito trabalho de modelagem, texturização e iluminação que já vi num jogo. E põe Crysis aí no meio.

Mas como? Como um jogo com 978 milhões de polígonos que roda em PC pode ser mais feio que um jogo de PS3, que não alcança o que um PC pode alcançar?

Aí as pessoas confundem gráficos com definição. Uma TV em preto e branco da década de 70 nunca vai ter a definição de uma Sony Bravia 42′. Mas se eu passar Casablanca na preto e branco e Crepúsculo na Bravia, eu fico 1000 vezes mais satisfeito de olhar para a primeira. A questão não é poder tecnológico, é qualidade artística.

As animações fluidas e variadas, o uso das cores, as expressões dos personagens, a modelagem de cada canto dos cenários, que às vezes nem podem ser alcançados, mostram o esmero da Naughty Dog com os pequenos detalhes, que se uniram e deram forma a um ambiente vivíssimo. E isso pode dar jogos muito bonitos (como já deu) mesmo em um SNES, que fosse. Nota: 10


Conjunto:

Pra falar de outros componentes que fazem o jogo ser sensacional, não pode faltar o Multiplayer. Apesar de eu não ter visto tanta costumização e poucas armas, é um multiplayer MUITO divertido. Quando soube que iria sair com MP, fiquei até chateado, achei que seria só pra vender mais e preferia que nem tivesse. Quando jogeuei, porém, dei três tapas na boca pra parar de ser precipitado. O mais legal desse modo é que, diferente de CoD ou algum outro FPS, em Uncharted 2 há a variável vertical. ou seja: Há diversos prédios ou ruínas para se subir e pegar adversários desprevinidos. Os mapas possuem vários níveis.

Também não pode faltar o multiplayer cooperativo, que é muitíssimo divertido. É um pedaço de campanha, nos moldes do singleplayer, só que online com 2 ou 3 parceiros. O tanto que gostei desse modo foi o mesmo tanto que me decepcionei por não haver coop local.

A música é também é digna de Hollywood. É daquelas que você baixa pra ouvir em casa (pelo menos eu que sou meio doido por trilhas  gosto muito de ouvir). Pra não dizer os efeitos sonoros. Se você parar pra prestar atenção, vai sentir pena dos sonoplastas, pois eles colocam um barulho diferente pra cada coisa que você faz no jogo. E isso ajuda, e muito, a dar vida a ação.

Aqui acho que o maior problema é não poder jogar coop local, apesar do multiplayer ser um extra. Nota: 9,5


Uncharted 2: Among Thieves

Desenvolvedora: Naughty Dog

Diretores: Bruce Straley, Amy Henning

História: 10 / Gameplay: 9,5 / Arte: 10 / Conjunto: 9,5

Nota Final: 9,7

Pra quem tem PS3, precisa parar tudo que está fazendo (mas termine de ler o post primeiro) e comprar agora Uncharted 2. De repente o primeiro também, mas mais por causa da história. Ela não é continuação direta, mas ajuda a pegar o espírito dos personagens e da série. Pelo menos veja as cutscenes no YouTube, seu preguiçoso(a) 🙂

Você com certeza vai ter uma experiência nova com videogames. E provavelmente vai concordar: Uncharted 2 definiu o patamar a ser batido pelos próximos jogos de ação dessa geração.

Mais uma review, e essa vai ser complicada. Analisar Braid foi mais fácil, pois é um jogo de proposta revolucionária, mas com uma execução simples. A revolução estava em quebrar paradigmas que vemos em jogos desde os consoles mais antigos.

Mas um jogo pode ser igualmente bom sem ser, aparentemente, revolucionário. E, como no Cinema, podemos assistir dois tipos de filme: aquele que quer inovar nos modos de narrar, usar ângulos de câmera diferentes, quebrar a lógica do tempo, do espaço… tentar evoluir a linguagem. É o que se chama de filmes/ jogos experimentais. Nem sempre são divertidos, mas são importantíssimo para o avanço da mídia em questão, e possibilitam que novos estilos surjam. Acreditem, mesmo o mais comercial dos filmes de hoje, como Avatar, não poderiam existir se Godard não tivesse decidido desrespeitar as “regras” do Cinema.

O outro tipo de filme ou jogo é aquele que é feito sem compromisso com a tentativa de inovar com princípios novos. E é o que a maioria das obras assume: é bizarramente difícil derrubar as “fórmulas” que vêm dando certo há tanto tempo. E é nessa categoria que estão os filmes que mais renderam dinheirinha para os produtores balofos e ricos. Por outro lado também se incluem aqui os filmes de merda que algum otário fez porque achou que era fácil, afinal “Se George Lucas consegue, eu também consigo!”. Mas não é o que acontece. Ao contrário do que muita gente pensa, mesmo filmes comerciais, aparentemente simplórios, possuem uma técnica por trás.

Se transpusermos essas categorias para o mundo videogamístico, Uncharted 2 se enquadraria na segunda. A história que muitos comparam com Indiana Jones é um indício disso. É mesmo no mesmo estilo aventura de caça ao tesouro hollywoodiana.

Outro indício é o gameplay, que se baseia em diversos outros jogos, pegando elementos de cada um e formando uma nova maneira de jogar. Há quem diga que a série Uncharted é uma mistura de Prince of Persia com Tomb Raider e Gears of War.

Mas no fundo a questão é: um jogo que não necessariamente inova a linguagem gamística pode ser revolucionário? A nova aventura de Nathan Drake tem tido extremo sucesso de crítica e público.  A média no Metacritic é 9.6/10, uma das maiores do site. O jogo recebeu diversas notas máximas. Mas os discordantes afirmam que tudo isso é exagero, e que um jogo para entrar para a história precisa trazer algo novo.

O que digo eu, e isso é minha opinião de merda (como diz o povo do MRG), é que uncharted 2 é sim um jogo que não traz inovações, seja para gameplay, história ou qualquer coisa. Porém, meus amigos, é um jogo que conseguiu revolucionar a forma com a qual vejo os jogos.

E o porque estará na Parte 2!

Billy’s Balloon
Diretor: Don Hertzfeldt

Eu tive a sorte de estudar rapidamente um pouco da arte da animação com uns caras muito bons. E, como anotei todos os curtas que eles me mostraram lá, e explicaram alguns detalhes de cada um, acho interessante escrever sobre eles aqui!

Se tem uma coisa que aprendi nessas aulas, é que animação pode sim ser cara, ser uma super produção como são os filmes da Disney. Mas que isso tudo não significa nada sem uma ótima idéia. E uma ótima idéia pode significar muita coisa sem isso tudo (morra tentando entender essa frase).

Billy’s Balloon é fruto da mente insana de Don Hertzfeldt. Um homem que, num belo dia de caminhada no parque, começou a se perguntar o que aconteceria se os balões com os quais as crianças brincavam e se divertiam tivessem, de repente, um desejo psicótico de assassinar seus pequeninos donos.

Observem que o sujeito não é exatamente um Michelangello, seus traços são bem simples. Qualquer um pode desenhar isso aí. E os recursos técnicos que usou, provavelmente, não passaram de lápis, papéis (muitos) e tinta colorida (no máximo o Paint). E mesmo assim conseguiu fazer um filme hilário, sem gastar quase nada.

O cara conseguiu criar um estilo próprio com seus desenhos “mal feitos”, sem cor e sem efeitos visuais. Quer dizer que a Pixar está errrada em fazer filmes de 60 milhões de dólares? Óbvio que não! Mas a idéia, os personagens, a ambientação, os diálogos, tudo isso vem antes da tecnologia. Tecnologia é um meio, não um fim. Não é á toa que Procurando Nemo, Rattatouille e Wall-E chegaram a concorrer ao Oscar de melhor roteiro, coisa que poucas animações conseguem. Tudo parte de boas idéias.

E cara, esse filme é o Cidadão Kane dos filmes de balões assassinos. As pausas que ele faz dão agonia, porque você sabe que nos próximos segundos a pobre criança será violentada pelo balão. E as expressões das crianças dão vontade de mijar de rir.

Então, sem mais papo. Apreciem essa obra nonsense da animação independente. Garanto que você vai rir (a não ser que seu filho goste de balões).


Antes de mais nada: filmes que você precisa ver não significa “melhores filmes da história” ou ” filmes mais importantes. Mas sim filmes que tenham um enredo que agrade qualquer tipo de pessoa, desde ao cinéfilo fã de filmes iranianos até quem assistiu Crepúsculo no primeiro dia de sessão. Querendo ou não, ambos são fãs de Cinema, só apreciam pratos diferentes do mesmo restaurante (metáforas rox).

Esses filmes são obras primas que eu aposto minha box de The Godfather: se você é fã de Cinema, não tem como não cagar nas calças de emoção quando vê-los.

Os Suspeitos/The Usual Suspects

Diretor: Brian Synger
Elenco:
Gabriel Byrne, Chazz Palminteri, Kevin Spacey, Stephen Baldwin, Kevin Pollak, Benicio del Toro.
Sinopse: 5 criminosos se encontram numa operação da polícia para identificar suspeitos de um crime. A partir desse encontro, eles decidem ganhar uma grana num roubo em conjunto.

Os Suspeitos é um filme de ladrões, e isso por si só já faz o filme legal. É daqueles filmes que os caras planejam assaltos, só que menos no estilo de 11 homens e um segredo. Esses são bandidos sujos, e não engomadinhos como Danny Ocean. Cada personagem tem um estilo único. Cada um é fanfarrão a sua maneira. E as atuações geniais produziram uma das cenas mais hilárias que já assisti, quanto os 5 estão naquela cabine de vidro onde a polícia coloca os suspeitos para serem identificados.

E o que mais gosto no filme é uma coisa muito rara de se achar: ele começa muito bom, mas com o avançar da trama, ele melhora cada vez mais. É muito comum você ver um filme e ele começar foda, mas depois ficar meh. Esse não só começa muito bem, mas vai colocando fogo na história, até que ela atinge seu ápice no fim. Você começa sabendo a merda que deu essa reunião. E aí conhece a origem dela, narrada por um personagem num interrogatório na delegacia. Como 5 criminosos decadentes conseguiram provocar tanta confusão e quem é o vilão misterioso por trás disso tudo?

Esse é um filme de mistério, só que os personagens principais são 5 trapaceiros novaiorquinos. Prepare-se para muitos “shits” e “motherfuckers”, e para uma das histórias mais bem contadas pra quem gosta de histórias de crime.