Saudades de “revisar” um jogo, e como essa é sempre uma tarefa difícil, resolvi recolocar o blog na ativa com um dos adventures de PC mais divertidos e venerados pelos fãs.

Secret of Monkey Island é a primeira aventura de Guybrush Threepwood, o pirata mais comédia da história da ficção. Jogar esse jogo foi resgatar minha infância, pois joguei muito o Curse of Monkey Island, que é o terceiro da série (não sou tão véio assim). A special edition foi lançada em 2009, 19 anos depois da original, com a arte refeita e acrescentando dublagem (as mesmas do Monkey Island 3, o primeiro a usar vozes).

Para quem, como eu, é fã ensandecido de adventures, deve saber que a Lucas Arts, por volta de 90, fez história com vários títulos sensacionais como Full Throttle, Grim fandango, etc. Tomara que todos esses ganhem remakes e o gênero Adventure ganhe nova força! Vamos à parte em que eu finjo que minhas notas importam alguma coisa:

História e Gameplay:

Bom, podemos começar definindo um gênero. O gênero de gameplay, sabemos que é point & click, daqueles que você aponta para bo obvjeto que quer pegar, escolhe as falas com o mouse e clica para andar. Mas isso abre espaço para qualquer tipo de narrativa, seja terror ou conto de fadas.

Esquecendo o gameplay, Monkey Island é uma história de comédia nonsense, das mais engraçadas. Guybrush Threepwood é o nosso protagonista, que chega numa ilha com o desejo de se tornar um pirata. Ele até consegue completar as tarefas necessárias para conseguir seu objetivo, mas quando a jovem governadora da ilha, Elaine, é raptada, ele é o único disposto a se encaminhar para a perigosa Monkey Island e resgatar sua amada (que ele só encontrou uma vez, diga-se de passagem).

Mas não dá pra esquecer o gameplay num jogo de videogame! Sendo um jogo point & click, a história é inseparável da jogabilidade. Por quê? As tarefas que o personagem (que também é o jogador) precisa realizar serão geralmente puzzles que, quando solucionados, levam a um próximo evento da história. Isso é uma ótima forma de integrar história e jogos de videogame (não à toa os adventures costumam ter histórias ótimas). Mas, na minha opinião, acaba ficando um pouco mecânico. Você sabe que o jogo só anda se você resolve certo quebra-cabeça. Aí você fica naquela angústia da resolução de um puzzle difícil. Aí resolve, vem um pedaço de história e já aparece mais um puzzle. Sou só eu que acho isso meio repetitivo e que podia ser mais fluido?

Independente disso, o jogo consegue te entreter do início ao fim e por mais que essa mecânica seja visível, ela não cansa. Fora que pra ultrapassar esse esquema de puzzle->resolução de puzzle->pedaço de história->próximo puzzle não é algo simples e exige novas formas de interação na narrativa. E Monkey Island é um jogo de 1990, quando as ficções interativas estavam apenas surgindo nos videogames. Olhando por esse lado, dá não só pra perdoar Monkey Island como também se impressionar com o fato de um jogo tão ousado na sua proposta consegue narrar tão bem e ser atual até hoje. Nota: 9,0

Arte:

Secret of Monkey Island é um jogo bonito até mesmo na sua versão antiga. A reformulação conseguiu deixar tudo melhor, principalmente os cenários. Os personagens foram recaracterizados, o que ajudou muito na parte cômica (a cara do guybrush é impagável), mas achei que dava pra melhorar um pouquinho mais. E o mais legal: você pode paertar um botão do teclado e trocar as versões do jogo rapidamente, pra ver como era a cena na versão antiga.

O único problema que esperava que fosse resolvido no remake e não foi eram as animações. A movimentação dos personagens ainda é dura como na versão antiga. Mas antes havia falta de possibilidades, que hoje são muito maiores. A prova cabal de que isso era possível de ser feito é que o Monkey island 2 já está sendo feito, e no site da Lucas Arts aparecem algumas animações, que estão muito mais fluidas e bonitas que as do 1º. A caracterização dos personagens também parece estar mais bem feita. Tudo isso ajuda na parte cômica e na beleza do jogo. Nota: 8,5

Conjunto: (ou “Outros fatores aleatórios que eu julgo serem importantes num jogo foda”):

Eu não sei se foi a diferença de idade entre o meu eu que jogou Monkey Island 3 e o que jogou esse remake, mas esse me pareceu bem mais curto. Isso não é necessariamente um defeito,  já que a história se fecha e cada segundo do jogo é muito legal. Mas não espere um adventure ultra-desafiador e profundo. Os puzzles são difíceis algumas vezes, mas se você estiver acostumado com o gênero, vai ser bem tranqüilo.

Quando comprei o jogo no steam (logo quando lançou) eu nem sabia que teria as vozes, achei que seriam refeitos apenas os cenários e os personagens. Quando percebi que seria tudo falado praticamente pulei de alegria, porque melhora muitíssimo a experiência, principalmente porque é um jogo basicamente feito de diálogos.

Enfim, quando se analisa o jogo por inteiro, ele perde muitos defeitos, porque o que fica é a impressão de uma história muitíssimo bem contada, que te faz rir a cada fala e com personagens absurdos de tão criativos. Nota: 9,5

The Secret of Monkey Island

Desenvolvedora/Produtora: Lucas Arts (a versão original foi feita quando a empresa se chamava Lucasfilm Games)

Designers: Ron Gilbert, Tim Schafer e Dave Grossman

História/Gameplay: 9,0; Arte: 8,5; Conjunto: 9,5

Nota Final: 9,0

Quem é fã de adventures, gosta de puzzles, diálogos insanos, piratas ou todas as anteriores, tem que jogar esse jogo agora! Não vejo a hora de chegar o segundo!

E lembrem-se: Nunca comprem um jogo de computador por mais de 20 dólares.

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